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Palavras com som

Gosto das palavras que escrevo, enquanto danço com os meus sentimentos ao som das músicas que escuto. Às vezes é o silêncio que me empresta toda a serenidade que faz nascer a poesia na ponta dos meus dedos.

Palavras com som

Gosto das palavras que escrevo, enquanto danço com os meus sentimentos ao som das músicas que escuto. Às vezes é o silêncio que me empresta toda a serenidade que faz nascer a poesia na ponta dos meus dedos.

A tua nascente

 

 

Ando pelo mundo numa procura constante do rio que nasce na nascente que és. De vez em quando encontro-o e percorro as suas margens.

 

Nem sempre sei o sentido da corrente. Às vezes olho e a água parece correr em sentido contrário. Deve ser algum remoinho que por alguns instantes cria a ilusão de que a corrente mudou.

 

Mas depois, com alguma atenção, encontro sinais, pistas que me orientam no sentido da tua existência. E a pouco e pouco, com persistência, encontro a frescura que brota da tua nascente.

Quando a invado, uno-me a ti e ficamos sós a beber o mundo, numa sede insaciável. Fechamos os olhos e deixamo-nos transportar pelo som mágico da natureza. Agarro na tua mão com força, e juntos parece-nos conquistar o mundo. Um mundo onde tudo nos é permitido.

 

Depois, caminho pelas tuas margens. Desta vez em direção à foz. Ao encontro com o mar. O mar que tanto dá e tanto leva.

Quando o encontro se der, quero ser o guardião que te protege. Mergulhar contigo e dizer ao mar que me pertences.

 

Quem sabe se não consigo trazer-te de volta à tua nascente. E nela ficaremos sós, a beber o mundo.

 

Autor: José Manuel Macedo